Amapergs Sindicato | Comunicação aos servidores penitenciários gaúchos






O Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) começou a elaborar projetos de parceria público-privada para construção e gestão de presídios no país. Segundo a diretora do BNDES Eliana Lustosa, o banco está desenhando o modelo, que será implementado primeiramente no Maranhão, para ser depois replicado pelos outros estados, adaptando o modelo básico às necessidades locais.
“Essa parceria [do BNDES] com o Ministério da Segurança Pública permite que, uma vez desenhado o modelo, ele seja replicável para várias unidades e que não se tenha que pensar, a cada projeto, a forma de estruturar. O fato de ter os recursos do FunPen [Fundo Penitenciário Nacional], que são recursos não contingenciáveis, viabiliza uma solução financeira de longo prazo para esses projetos, que são uma demanda de longa data no Brasil”, afirmou Eliana.
Criado em 1994, o FunPen recebe anualmente cerca de R$ 400 milhões em verbas das loterias e soma, atualmente, R$ 1,113 bilhão. Eliana informou que o banco entrará com a expertise na estruturação dos projetos, para fazer o trabalho com os estados de forma integrada e gerando uma economia de escala, além de incluir o conteúdo social.
De acordo com Eliana Lustosa, isso significa que uma parcela dos recursos daquele que ganhar o projeto será fixa e uma parcela do pagamento estará atrelada, de forma objetiva, à performance, à capacidade que aquela operação e construção terá de atingir os objetivos sociais de não reincidência dos presos, de recolocação dos presos no mercado de trabalho. “Os elementos sociais intrínsecos à construção e operação dos presídios fará parte da rentabilidade daquele que ganhar os projetos.”
O projeto para o Maranhão prevê a construção de uma unidade para 500 presos, ao custo de R$ 40 milhões. A diretorado BNDES detalhou o projeto nesta segunda-feira(13), em entrevista coletiva ao lado do ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, após reunião no banco.
Propostas alternativas
No início do mês, os institutos Igarapés e Sou da Paz e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública lançaram um documento com propostas para melhorar o sistema prisional do país. Sobre a reestruturação do sistema prisional, a agenda destaca que a taxa de ocupação atual dos presídios é de 197%, com crescimento entre 2006 e 2016 superior a 180%, período de vigência da nova lei sobre drogas.
As entidades lembram que 40% da população carcerária é formada por presos provisórios, que ainda não passaram por julgamento, e que a mortalidade no sistema é três vezes maior do que a da população em geral, numa taxa de 95 mortos por 100 mil presos.
Como proposta para uma política de criação de vagas mais racional e humana, as entidades sugerem a vinculação do repasse de recursos do FunPen à redução do número de presos provisórios, priorização da prisão por crimes graves contra a vida, produção de informações de qualidade a atualizadas sobre a população encarcerada e a adoção da revisão automática da população prisional do estabelecimento para identificar possíveis casos de liberação ou realocação.
A agenda sugere também prioridade para a criação de vagas no regime semiaberto, no modelo de colônia agrícola ou industrial; a criação e monitoramento de taxas globais e locais de ocupação e ociosidade, a implantação de uma política de alternativas penais eficiente e a expansão das audiências de custódia para o Brasil inteiro.
Fonte: EBC
#AmapergsNaLuta #NãoAPrivatização
Por marcos silva

* Viés cognitivo (ou tendência cognitiva) é um padrão de distorção de julgamento que ocorre em situações particulares, levando à distorção sistemática perceptual, julgamento pouco acurado, interpretação ilógica, ou o que é amplamente chamado de irracionalidade.
Amapergs Sindicato, representante legal dos servidores penitenciários do Rio Grande do Sul e, em respeito a categoria. Faz, através dessa nota pública de repudio, algumas considerações que entende pertinentes no sentido de contribuir, com sobriedade e justiça, para a construção de soluções que minimizem os efeitos nocivos da precarização do sistema prisional e suas implicações de modo geral, sobre servidores, sociedade e violência. Bem como, demonstrar em nome dos servidores penitenciários gaúchos nossas contrariedade com as afirmações feitas pelo Sociólogo Marcos Rolim nesta reportagem:
Inicialmente, pontuamos que, a eleição de culpados, definitivamente, não contribui em nada para um debate público que pretenda ser construtivo de boas praticas prisionais, nesta que é uma área nevrálgica da segurança publica gaúcha e que, por um processo histórico de desatenção com o sistema prisional gaúcho. É hoje, um dos fatores centrais no aumento da criminalidade e dos elevados índices de violência no Estado.
Dito isso, externamos nossa divergência com a forma simplificada, especulativa e não científica com que foi abordada a questão da entrada e as apreensões (pelos servidores da SUSEPE), dos celulares nos presídios, pelo sociólogo e jornalista Marcos Rolim. O professor baseando-se, diga-se de passagem, a partir de dados vagos de uma sentença judicial que trata da [“Revista Íntima”(!)]. Entendemos, outrossim, que não é racional remeter, apressadamente, para toda uma categoria este: “outros meios”, colocando sub suspeita os servidores prisionais. Não é razoável. Uma vez, que o enfrentamento desta questão, historicamente, nunca foi tratado – satisfatoriamente – do ponto vista de investimentos públicos em tecnologia, inovações legislativas e pesquisa científica.
Lamentamos que as respostas as questões na entrevista tenham sido precipitadas, frente a complexidade do universo prisional em seus múltiplos aspectos. Só neste período de dez anos entraram nos presídios gaúchos, 12. 860. 920 milhões de visitas devidamente registradas. Ainda, estão fora deste montante advogados, fornecedores, terceirizados, professores, religiões, policiais e ativistas organizados (ONGs). Pois bem, segundo a concepção do professor Marcos Rolim, apenas um (01) dado real – um servidor corrupto – bastaria para justificar a suspeição sobre o restante dos 99,9% dos servidores penitenciários gaúchos (sic!).
Sem demérito a vasta produção acadêmica do professor mas, (neste caso especifico), o peso da sua opinião, foi um prato cheio para se vender, aqui sim, pós-verdades – e o pior – , com um aval ”científico”. Neste caso falta, objetivamente, o Estudo de Caso no sentido de Yin (2001), uma estratégia de pesquisa que compreenda um método que abranja todos os aspectos em abordagens especificas de coletas e analise critica de dados e evidencias de um objeto de estudo. O próprio professor se auto questiona: “… e os 90%?” para, em seguida, presumir de forma ambígua, na melhor das hipóteses – com margem e página para suscitar a indignação, mais que justificada, da categoria: (…) “hoje, 90% dos aparelhos vêm de servidores que vendem para presos”(sic). Lamentável.
Esclarecida nossa contrariedade e, em que pese, o sociólogo e jornalista Marcos Rolim tenha reformado seus comentários – atitude louvável – em artigo veiculado no Sul21:(https://www.sul21.com.br/colunas/marcos-rolim/2018/08/celulares-presidios-e-evidencias/), concluímos, que o dano causado pela referida reportagem é irreparável e notadamente, irrefletido do ponto de vista jornalístico e suas repercussões. Afetando, sobremaneira, a dignidade de servidores prisionais concursados comprometidos com uma das mais perigosas e estressantes carreiras profissionais, segundo classificação recente da ONU.
Outrossim, o vácuo cientifico, para não dizer buraco negro, com relação aos (90%) ficou aumentado. Contudo, e sem prejuízo para uma conversa cordial, destacamos o respeito que temos pelo trabalho do Sr. Marcos Rolim, especialmente, em sua abordagem a cerca do modos operandi adotado pelas facções aqui no Estado quando da ausência do poder publico. É o que tem norteado nossas observações sobre o poder paraestatal que representam essas organizações criminosas, a partir do sistema prisional. Porem, não deixaremos de cumprir o dever de defender de qualquer macula a categoria penitenciária. Para tanto, informamos aos colegas que estamos buscando o direito de resposta, retratação e reparação de danos, seja no plano pessoal ou coletivo.
Texto e edição: Marcos Silva – Diretor de Comunicação – AMAPERGS
depjuridicoamapergs@gmail.com
Amapergs Sindicato acompanhou na tarde desta terça-feira (14) no plenário da AL-RS a aprovação do Projeto de Lei Complementar PLC/129 2018, proposta idealizada pelo Instituto Cultural Floresta que cria o Programa de Incentivo a Segurança Pública do Rio Grande do Sul. O projeto foi aprovado com 42 votos favoráveis e um voto em contrário.
A lei abre a possibilidade de conjugar esforços dos setores público e a comunidade para incentivar o reaparelhamento da Segurança Pública gaúcha. O aporte poderá ser feito por meio de incremento a projetos específicos ou depósitos direto ao Fundo Comunitário PRÓ- SEGURANÇA (Lei nº 15.104, de 11 de janeiro de 2018), compensando percentuais dos valores doados com valores correspondentes ao ICMS a recolher das empresas contribuintes.
Segundo a justificativa, a proposição não onera os cofres públicos, tendo em vista que não haverá renúncia ou isenção fiscal, pois se trata de compensação, que terá o limite de até 0,8% do total da receita estadual com ICMS por ano.
Amapergs Sindicato entende que o projeto não é uma panaceia para todos os males da segurança pública, contudo, é importante para o combate à violência publica e da alta precarização enfrentada pela SUSEPE e demais órgãos de segurança publica do RS. De qualquer modo, a AMAPERGS estará atenta ao processo de implementação dessa lei, com foco voltado para as necessidades urgentes no sistema prisional e dos interesses dos servidores penitenciários gaúchos.
#AmapergsNaLuta
Fonte: AL-RS
Amapergs Sindicato representada pelo seu Presidente em exercícios Claudio Fernandes e do Diretor de Comunicação Marcos Correa, esteve na tarde de hoje (10), juntamente com demais entidades representantes dos órgãos de segurança publica gaúcha – UGEIRM, ASDEP, ABERGS, ASSTBM, SIMPOL, ABAMF, ASOFBM e IGP -, participando de reunião com o presidente do Instituto Cultural Floresta, Claudio Goldsztein. O Instituto Floresta é uma entidade formada por empresários gaúchos que apoiam projetos voltados para a melhoria da Segurança Pública do RS e que valorizem os profissionais da área. O Instituto já doou mais 9 milhões em equipamentos à Segurança Pública do RS e, são os idealizadores da Lei de Incentivo à Segurança Pública.
Esta Lei de Incentivo à Segurança Pública, se aprovada na próxima terça-feira (14) pelo parlamento gaúcho, poderá impulsionar o orçamento para investimentos na área da segurança pública. Assim como acontece com a Cultura, parte do recurso recolhido pelo ICMS será destinado a financiar ideias e projetos; pensadas e elaboradas por Susepe, Brigada Militar, Polícia Civil e Instituto-Geral de Perícias. Cada um em suas respectivas áreas e relativos a VTRs, material bélico, logística e estrutura.
Portanto, uma iniciativa louvável que integra a comunidade e as forças de Segurança Pública em torno do bem comum, que é a luta contra a criminalidade que assola o Estado do Rio Grande do Sul. Na oportunidade o presidente em exercício da AMAPERGS SINDICATO Cláudio Fernandes, reivindicou a inclusão na lei de investimento em material humano cursos de aperfeiçoamento e qualificação profissional, além de atenção as questões relacionadas a saúde mental dos servidores penitenciários gaúchos.
https://www.facebook.com/InstitutoCulturalFloresta/videos/1822843124689926/
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Assembleia Legislativa do RS recebeu projeto para Lei da Transparência na Segurança Pública. O Instituto Cidade Segura, ONG que atua na área da Segurança Pública, apresentou, na tarde desta terça-feira (07), à Assembleia Legislativa do RS, projeto para uma “Lei da Transparência na Segurança Pública”. A matéria dispõe sobre a transparência ativa dos dados considerados fundamentais para o monitoramento dos indicadores da violência no RS, determinando que eles sejam disponibilizados em formato aberto desde que não estejam sob sigilo ou sob restrição de acesso nos termos da Lei nº 12.527, de 18 de novembro de 2011.
O monitoramento dos indicadores de segurança publica dentro e fora do sistema penitenciário, que não estejam sob sigilo, são fundamentais para uma avaliação democrática das politicas e da gestão das politicas de segurança publica gaúcha.Está iniciativa visa dar lastro para avaliação, direcionamento e implementação de políticas de segurança pública. Através da analise precisa e pública dos dados resultantes de uma determinada gestão politica em segurança publica.
Esse debate é oportuno e que poderá trazer elementos de racionalidade para o debate publico sobre um dos temas mais preocupantes para a sociedade gaúcha que é a violência. E que hoje esses dados não lhe são fornecidos satisfatoriamente. Quando não parcialmente, que é o pior dos casos. Sem falar nos métodos de aferição e avaliação. Segundo estudo apresentado pelo instituto Cidade segura o nível de transparência na área da segurança publica é de apenas 18% no pais.
O Instituto foi recebido na Presidência da Assembleia pelos parlamentares Vilmar Zanchin (MDB) Adão Villaverde (PT), que representou o presidente, Jeferson Fernandes (PT), Juliano Roso (PCdoB), Juliana Brizola (PDT) e Pedro Ruas (PSOL).
#AmapergsNaluta
No dia 3 de agosto, das 9 às 19 horas, ocorrerá o seminário internacional Um Pacto Brasileiro pela Segurança, promovido pela Escola do Legislativo Julieta Battistioli, no Plenário Otávio Rocha da Câmara Municipal de Porto Alegre. Para abordar o assunto, a Escola trará à Câmara especialistas na área de segurança pública nacionais e internacionais, buscando um paralelo entre situações problemáticas e suas respectivas soluções e aprendizados.
O evento, aberto ao público, tem o objetivo de compartilhar a experiência de especialistas na área de segurança pública e a busca pela adaptação de medidas utilizadas com sucesso na luta pela diminuição dos índices de violência em outras cidades do mundo.
O evento é totalmente gratuito, e as inscrições serão realizadas via formulário disponível no site da Escola do Legislativo. Outras informações também podem ser obtidas pelo Facebook (escoladolegislativocmpa), email escola@camarapoa.rs.gov.br ou pelo telefone (51) 3220-4374.
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(Fonte: Câmara Poa)
Amapergs Sindicato esteve na tarde de hoje (01), participando de reunião setorial no DSE (Divisão de Segurança e Escolta) da SUSEPE. Na oportunidade representada pelo seu presidente em exercício Claudio Fernandes, dos diretores Marcos Correa, Cristiano Fortes e Felipe Molina, alem dos Del. Sindicais Emerson Job e Paulo Fernandes. Esta reunião setorial se deu a partir de demanda coletiva dos servidores penitenciários lotados naquela divisão de segurança e escolta, para tratar de assuntos relacionados a rotina funcional/operacional daquela divisão.
Aberta reunião, foi disponibilizado o uso palavra para os colegas manifestarem-se, e foi o que fizeram por mais de 03 horas. Após inúmeros relatos de situações atípicas, condenáveis e que devem ser averiguadas, urgentemente, pela corregedoria da SUSEPE. Tais como: possíveis assédios dos mais variados – inclusive com representantes classistas – abuso de prerrogativa de função, manipulação de carga horaria de forma ilegal para o atendimento de metas de apresentação de audiências, em prejuízo de aspectos protocolares de segurança e fatores psicológicos dos servidores. Ademais, horistas “convocados” com servidores lotados dispensados antes mesmo de completarem suas cargas horárias prevista em Lei e a não observância da Ordem de Serviço 008 \ 2012.
Após intensa discussão em torno das questões acima elencadas, foi extraído, desse caos administrativo por que passa o nosso querido NSD, alguns importantes encaminhamentos, todos devidamente registrados em ata e, principalmente, aprovados por unanimidade pelos servidores penitenciários presentes na reunião setorial – imensa maioria do efetivo do DSE – como mostra os registros fotográficos. Contudo, o mais importante dos encaminhamento é o seguinte: a partir da apresentação pelo sindicato dessa situação insustentável do ponto de vista gerencial, junto ao DSEP, – e se -, em 15 dias, não se ter uma solução plausível que equalize o bom andamento dos trabalhos e seja razoável para todos. O servidores lotados no DSE/NSD desencadearão uma operação padrão setorial até que se atendam satisfatoriamente os encaminhamentos que serão protocolados pela Amapergs Sindicato junto a SUSEPE. De qualquer modo e concomitante a isso o Sindicato, acionara o seu departamento jurídico para avaliar o fatos relatados pelos colegas.
#AmapergsNaLuta


























Apresentada pelo Deputado Onix Lorenzoni, a proposta altera o Estatuto do Desarmamento (10.826/03), que hoje autoriza aos agentes penitenciários e guardas prisionais o porte de armas de fogo mesmo fora do ambiente de trabalho, desde que estejam submetidos ao regime de dedicação exclusiva.
Para o parlamentar, essa exigência “estabelece duas categorias de servidores: aqueles que poderão exercer o direito à legítima defesa em uma profissão de alto risco e os que ficarão à mercê da própria sorte pelo simples fato de exercerem outra atividade”. Por isso, ele propõe a retirada “de tal discriminação” do texto legal.
Outra mudança na lei proposta no projeto é a mudança da designação “agentes e guardas prisionais” para “servidores penitenciários”. Segundo Lorenzoni, as designações dos cargos diferem de uma unidade federada para outra, e o termo “servidores penitenciários” contempla todas as categorias de profissionais responsáveis pela custódia, vigilância e escolta de detentos, além de outras atividades relacionadas com as rotinas e procedimentos da execução penal.
Tramitação
A proposta será analisada, em caráter conclusivo, pelas comissões de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
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Via TV Câmara
Renato Sérgio de Lima
A pedido da CNI (Confederação Nacional das Indústrias), o Fórum Brasileiro de Segurança Pública elaborou um amplo diagnóstico do setor e que, posteriormente, foi por ela aproveitado para a elaboração do Caderno com as Propostas da Indústria para as Eleições Presidenciais de 2018.
Neste Caderno, um dos pontos mais destacados é que, qualquer que seja o candidato ou candidata que seja eleito(a) em outubro deste ano, há uma série de ações de modernização da governança e da articulação de diferentes órgãos, instituições e Poderes da República que precisa da liderança da Presidência da República para ser concretizada. Chegou a hora de enfrentarmos nossos tabus e construirmos novos e mais sólidos alicerces para uma área que se tornou uma das principais preocupações da sociedade brasileira.
O Banco Mundial, o BID e várias agências multilaterais têm reforçado que novos modelos de governança são necessários para aumentar a eficiência da máquina pública. O FBSP também tem contribuído para traduzir a necessidade de governança em números e evidências que possam ser convertidos em legados de mudança e energias de transformação, sobretudo a partir da atuação do novo Ministério da Segurança Pública mas não só. Esta é uma tarefa que demanda uma ampla coalização a favor da vida. Nesse processo, o Ministério é uma iniciativa muito relevante e cujo papel é central para este projeto de mudança, porém não deve ser vista como única.
Mas o consenso em torno da urgência deste tema não para nestas entidades. O próprio Jornal Folha de S.Paulo produziu um Caderno Especial intitulado “E Agora, Brasil?”, com propostas para a área que, se analisadas, vão na mesma direção e reforçam o caráter estratégico da governança.
E, para ajudar na reflexão pública dos caminhos sugeridos, vale reproduzir alguns dados por nós compilados e algumas dessas propostas apresentadas. Elas podem fazer a diferença para uma segurança pública mais efetiva e que consiga não só reduzir as obscenas taxas de violência no Brasil, mas também garantir cidadania e diminuir os sentimentos de medo e de insegurança.
E, a partir deste consenso, muitas destas propostas já estão incorporadas por diversas agendas de trabalho e, em breve, ganharão da companhia de uma proposta detalhada para a segurança pública que está sendo construída pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e pelos Institutos Sou da Paz e Igarapé. Nesta proposta, a governança do sistema tem peso estratégico e é complementada por outras propostas para dilemas específicos da realidade de crime e violência do país.
O mais importante, contudo, é a sinalização de que segurança pública é e tem solução, desde que implementada nos marcos da eficiência e efetividade das políticas públicas e dos comandos constitucionais consubstanciados nas Cláusula Pétreas da Carta de 1988. Não há saída fora da agenda civilizatória e do Estado de Direito.
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Nos próximos dias iremos divulgar a 12ª. Edição do Anuário Brasileiro de Segurança Púbica, que deve indicar uma piora, em 2017, do cenário de violência no país. Porém, enquanto os dados do último ano ainda estão sendo consistidos, constatamos que a situação da segurança pública no Brasil é, por qualquer que seja a régua, ruim e vem piorando nos últimos anos.
* Os dados disponíveis revelam que a taxa de homicídios por 100 mil habitantes passou de 26,1 para 28,9 (aumento de 11%) entre 2005 e 2015 e a taxa de estupros por 100 mil habitantes passou de 17,5 para 24,0 (37%) entre 2009 e 2016. Em 2016, pelos dados do Atlas da Violência, superamos as 30 mortes para cada grupo de 100 mil habitantes.
* Os crimes contra o patrimônio também refletem a deterioração. Entre 2007 e 2016, a taxa de roubo a instituições financeiras aumentou 47%, de 1,5 para 2,2 a cada 100 instituições. A taxa de roubos de carga por 100 mil habitantes passou de 10,1 para 13,2 entre 2007 e 2016, aumento de 31%.
* A piora na situação da segurança pública ocorre apesar do aumento da população prisional de 297 mil para 726 mil presos entre 2005 e 2016, o equivalente a uma variação na taxa de presos por 100 mil habitantes de 160,4 para 352,4 (120%) no período. Mesmo com recursos disponíveis, a burocracia envolvida na construção de novas vagas e unidades dramatiza o déficit carcerário e mostra que a política criminal e penitenciária precisa ser revisitada, caso queiramos vencer as organizações e facções criminosas que nascem e crescem entro das prisões.
* Dito de outra forma, a deterioração da área ocorre mesmo com o aumento de 27,5% nos investimentos realizados por União, estados e municípios em segurança pública, desconsiderados os efeitos da inflação. O Brasil gasta com segurança pública em torno de 1,4% do PIB, mais que os países da OCDE, que despendem cerca de 1% do PIB com essas atividades.
* Os custos da falta de segurança para o país representam, no mínimo, 6,1% do PIB ou 404 bilhões de reais por ano, quando contabilizadas as perdas de vida humana, os custos com seguros e segurança privada, as perdas com turismo e os gastos com o sistema de saúde, com o sistema prisional e com a segurança pública.
Em síntese, os problemas da segurança pública no Brasil não são poucos e as soluções de longo prazo não são simples. Apesar disso, é possível identificar um grave problema de governança entre os múltiplos órgãos que atuam no setor, nos diversos entes federativos, com baixo nível de coordenação e cooperação. Não se trata de questões gerenciais ou de sistemas de gestão, mas da definição mais clara de papéis, responsabilidade e metas. Pode parecer óbvio, mas sem articulação e coordenação, trabalha-se muito mas sem a certeza de impactos. E, desse modo, a sensação que fica é que os profissionais da área, sobretudo os policiais, são deixados à própria sorte.
Se olharmos o que ocorre no mundo, no entanto, a experiência internacional mostra que as práticas mais efetivas de política de segurança pública são baseadas na descentralização do poder de polícia e no protagonismo dos atores políticos locais. Isso não significa uma atuação independente e descoordenada das autoridades locais. E é nesse ponto que aparece a importância do papel do governo central, promovendo uma governança integrada das ações, bem como a construção de estruturas institucionais e informacionais adequadas e a capacitação de qualidade dos agentes de segurança. Não se trata de assumir tarefas que não são suas e/ou cair na tentação histórica de concentrar poder. Mas de servir de indutor de um novo pacto federativo e republicano.
Ou seja, o salto de qualidade na segurança pública brasileira apenas será possível quando o governo federal atuar como principal agente de indução e coordenação das políticas públicas em território nacional. E, para tanto, as propostas defendidas pela CNI, pelo FBSP e por outros atores conectam-se com o objetivo de dotar o governo federal de capacidades institucionais que deem conta destes grandes desafios. Não é preciso reiventar a roda ou sair fazendo malabarismos. É necessário arrumar a casa; arrumar o modo como o Estado responde ao crime e à violência. E, para isso, propomos inicialmente:
1. Colocar o Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) para funcionar na prática, coordenando o papel de cada ente federativo na segurança pública, o sistema de financiamento e a articulação entre diferentes esferas de governo, instâncias de Poder e órgãos de Estado. A grande inovação do SUSP é prever que o Sistema de Segurança seja guiado por Planos Decenais que deem previsibilidade de ações e, ainda, pela diretriz de que monitoramento e avaliação sistemáticas são ferramentas essenciais de gestão e governança.
2. Elaborar uma política nacional para redução de homicídios, com foco nos cerca de 120 municípios que concentram 50% do total de homicídios no país.
3. Fortalecer o Ministério da Segurança Pública, ampliando sua estrutura para abarcar atividades de melhoria da gestão das polícias e da perícia, melhoria da gestão penitenciária, articulação da defesa civil e coordenação e articulação de políticas de prevenção da violência.
4. Reestruturar o Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) e o Fundo Penitenciário Nacional (FUNPEN), garantindo previsibilidade no aporte e na liberação de recursos, e exigindo-se de estados e municípios condicionalidades e contrapartidas para recebimento dos recursos, como divulgação de dados (política de transparência, não só a construção de sistemas operativos), prestação de contas, avaliação das políticas e elaboração de planos de segurança pública.
5. Criar um demonstrativo de gasto anual em segurança pública, unificado entre União, estados e municípios, com padronização dos critérios classificatórios das despesas em segurança pública.
6. Criar o Instituto Nacional de Estudos sobre Segurança Pública (INESP), com o objetivo de organizar e manter os dados de segurança pública, apoiar a avaliação de políticas de segurança, recomendar políticas de segurança com base em evidências e coordenar a avaliação da formação de profissionais de segurança. [importante dizer que o Instituto não visa apenas integrar bancos de dados, mas fomentar uma política de informação transparente e padronizada. Os investimentos em tecnologia são parte fundamental deste processo, mas é preciso estruturar ações de monitoramento a avaliação que independam de como cada dado seja produzido].
7. Criar a Escola Nacional de Altos Estudos em Segurança Pública (ENAESP), para aperfeiçoar a formação e profissionalização dos profissionais de segurança.
As propostas acima são um pequeno exemplo das tarefas de governança que se fazem necessárias. Até para que ações finalísticas, de combate ao crime organizado, entre outras, possam surtir o efeito desejado. Por certo são medidas que têm menor apelo eleitoral, mas elas têm a capacidade de transformar discursos políticos em impactos efetivos. Nos próximos dias teremos o início a Campanha Eleitoral e precisamos ficar atentos para que ideologias não ofusquem os reais obstáculos e entraves da área.
* Renato Sérgio de Lima é diretor-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, entidade que funciona com um hub de aproximação de diferentes segmentos da área da segurança pública e é hoje umas das principais fontes de referência do país sobre dados, estatísticas e informações sobre o tema.
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