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AL-RS | Aprovada realização de audiência pública sobre situação dos aprovados em concurso da Susepe

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A Comissão de Segurança e Serviços Públicos, presidida pelo deputado Catarina Paladini (PSB), aprovou, em reunião extraordinária, no início da tarde desta terça-feira (27), a realização de uma audiência pública para tratar da situação dos aprovados no concurso da Superintendência Estadual dos Serviços Penitenciários (Susepe) em 2017. A proposta é do deputado Valdeci Oliveira (PT) e tem como objetivo reunir representantes do governo gaúcho e da comissão dos aprovados no certame para discutir o impacto da falta de pessoal no sistema carcerário gaúcho. A audiência acontecerá no dia 13/Dez/18 na Sala Adão Preto, no parlamento gaúcho. Participe.

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via AL-RS

#AmapergsNaLuta

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Câmara dos Deputados aprovou urgência para o projeto de lei (7223/06) que cria o regime penitenciário de segurança máxima

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A Câmara dos Deputados aprovou, por 291 votos a favor e 8 contrários, a urgência para o projeto de lei (7223/06) que cria o regime penitenciário de segurança máxima. Para esses presídios são enviados, em geral, condenados apontados como líderes do crime organizado, por crimes hediondos contra policiais e parentes.

Ao aprovar a urgência, a Câmara estabelece que não poderá haver pedido de vista nem emendas à matéria. O tema também terá de estar entre prioridades nas votações.

Pela proposta, apresentada pelo então senador Demóstenes Torres (PFL-GO), a medida inclui na legislação alternativas para o combate ao crime organizado. Ao justificar seu texto, o autor disse que altera a Lei de Execução Penal e tem um caráter preventivo.

O modelo hoje existente, o Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), é punitivo, pois enquadra o preso que transgredir a disciplina penitenciária.

Mudanças

A duração máxima do novo regime será de 720 dias prorrogáveis, segundo prevê o texto. O projeto prevê recolhimento em cela individual, banho de sol de, no máximo, duas horas diárias, e proibição de comunicação com outros presos e também com os agentes penitenciários. As eventuais saídas do presídio deverão ser monitoradas.

Também serão controladas, por meio de gravação e filmagem, as visitas mensais dos familiares. Nesses encontros, o preso e o seu parente ficarão separados por um vidro e se comunicarão por interfone, de acordo com o texto.

Os contatos com advogados só poderão ser mensais, salvo com autorização judicial, e deverão ser informados à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Atualmente os advogados podem se comunicar diretamente com qualquer preso, mesmo sem agendamento prévio.

Vetos

O texto proíbe também a entrega de alimentos, refrigerantes e bebidas em geral por parte dos visitantes. Também está vetado o uso de aparelhos telefônicos, de som, de televisão e de rádio.

Ao contrário da legislação atual – que dá preferência à prisão em locais próximos da família do condenado –, a proposta determina que o preso em regime de segurança máxima poderá ficar em estado distante do local de influência da organização criminosa da qual participava.

Inclusão

A inclusão do preso no regime de segurança máxima, assim como no RDD, deverá ser requerida pelo diretor do presídio ou por outra autoridade administrativa. Somente poderá ser determinada por prévio e fundamentado despacho judicial. Antes dessa decisão, o juiz deverá ouvir o Ministério Público e os advogados dos presos.

O texto estabelece ainda que o regime de segurança máxima, assim como ocorre no RDD, será uma exceção ao dispositivo que determina que a suspensão e a restrição de direitos não poderão vigorar por mais de 30 dias.

A proposta permite que sejam construídos presídios exclusivamente para os presos (provisórios ou condenados) submetidos a regimes como a segurança máxima e o RDD. Também está prevista a criação de uma divisão de inteligência penitenciária para coletar e fornecer ao Ministério Público relatórios sobre os presos e sobre eventuais suspeitas de improbidade de agentes penitenciários. #AmapergsNaLuta

*Com informações da Agência Câmara de Notícias.

Via EBC

Precarização & desperdício | Presídio Central tem conta de água de um milhão por mês e Susepe admite vazamento

Foto: Bernardo Speck
Foto: Bernardo Speck

Superlotação da casa de detenção é o dobro do permitido e dívida com Dmae chega a 100 milhões

Há dez anos, o Presídio Central de Porto Alegre foi considerado o pior do Brasil durante uma investigação conduzida na Câmara de Deputados dentro da CPI do Sistema Carcerário. Atualmente, a situação não é muito melhor. Com capacidade para 1,8 mil detentos, a casa penitenciária abrigava mais de 4,6 mil em 2016, de acordo com dados da Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe). O órgão justifica que a superlotação é observada no Rio Grande do Sul como um todo.

Os problemas de um presídio superlotado refletem nas contas públicas, no desperdício de recursos e nas condições de saneamento básico dos presídios. Em agosto de 2017, por exemplo, a Gaúcha noticiou que a dívida do Central com o Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae) chega a mais de R$111 milhões. A Susepe confirmou a dívida e salientou que os gastos com a conta de água da casa penitenciária custam R$1,1 milhão mensais. A superintendência atrela o alto consumo à estrutura antiga da edificação e admite publicamente que o local tem vazamentos. O veículo apresentou, então, um levantamento que se cada um dos 4.670 presos “tivesse direito à tarifa social, com consumo de 10 m³ de água e esgoto, o custo mensal cairia dos atuais R$ 1,1 milhão para R$ 109.278,00, cerca de 10% do valor pago”.

#AmapergsNaLuta

Via Aguá Pra Quem

Audiência Pública\Susepe RS | Corregedoria-Geral da Justiça: o sistema prisional é responsabilidade de todos

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Antes mesmo do texto da matéria, queremos destacar – na íntegra – a fala que representou esse grupo abnegado que são os aprovados no ultimo concurso da SUSEPE (CR). O texto é do aprovado Jéferson Medeiros Santos e ganhou a atenção das autoridades e participantes desta audiência pública. Por esse motivo destacamos essa excelente reflexão: somos cobrados a garantir direitos humanos no sistema prisional mas sequer temos os nossos direitos humanos garantidos, como servidores penitenciários. Dada a precarização; os déficit estruturais, logístico e de servidores que enfrentamos cotidianamente no sistema prisional RS. Vale a leitura: Sou Bacharel em Administração e um dos aprovados do concurso da Susepe. Sou natural de Bagé e gostaria de saudar a presença dos colegas também aprovados no concurso da Susepe as autoridades e a todos presentes. A crise do sistema penitenciário gaúcho é real e insere-se num cenário nacional de descaso que se acumula por décadas. A ausência do Estado no interior dos presídios leva ao avanço reacionário do crime organizado, que, no Rio Grande do Sul, se estrutura em facções criminosas com características bastante pontuais. Hoje o número de apenados ultrapassa a casa dos 40 mil e um efetivo em torno de 5 mil agentes penitenciários. A proporção mínima desejável é de um agente para cinco presos, segundo uma resolução de 2009 do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária. Como pode-se notar, não se cumpre essa orientação nem de longe. A crise penitenciária no RS é gravíssima. Há um déficit de 3 mil agentes penitenciários nos presídios e quase 1700 aprovados no último concurso aguardam nomeação. Enquanto isso, há cerca de 1000 policiais militares em serviços prisionais, ou seja, em desvio de função, além de custar mais caro ao Estado, o servidor não desenvolve sua função de policiamento ostensivo nas ruas. Um dos maiores gargalos do sistema penitenciário no Rio Grande do Sul é a falta de agentes nas unidades prisionais. Não há servidores em quantidade necessária para executar com segurança a rotina das unidades no estado, onde estão mais de 40 mil presos. O agente penitenciário é o responsável por manter a ordem, a disciplina, a custódia e a vigilância de detentos nas unidades prisionais. Além de revistar as celas e as visitas, são eles que fazem a movimentação dos presos: levam os detentos para tomar sol, receber atendimento médico, assistir aulas, fazer exames fora da unidade, ir a audiências judiciais etc. Um trabalho que requer alto nível de atenção e possui um elevado grau de estresse, já que os agentes vivem sob o risco iminente. Sem esses servidores, as movimentações não podem acontecer, o que aumenta a tensão nos presídios. A falta de agentes compromete todo o sistema penitenciário. Sem profissionais, não podem ser garantidos os direitos mínimos do preso, que cobra diariamente do agente aquilo que é direito seu e que o Estado não garante. “Essa pressão se soma à sobrecarga de trabalho do agente, elevando ainda mais o estresse desse trabalhador, que vai adoecendo. Além de tudo, a baixa quantidade de agentes ainda aumenta o risco de rebeliões nas unidades, pois prejudica a prática dos procedimentos de segurança”. Diante da falta de efetivo, nem mesmo as regras básicas de segurança podem ser cumpridas. Uma delas determina que a cela só pode ser aberta quando a equipe de agentes tiver quantidade superior a de presos. No dia-a-dia, é comum que apenas dois ou três servidores abram as celas com 8 presos. Para se ter noção vou passar alguns dados do Presídio Regional de Bagé: Segundo o Diretor do Presídios sr° Carlos Eduardo Padilha, os dados são: 530 presos para 6 agentes penitenciários por dia celas são para 4 presos – Mas tem 12 presos Instituto Penal – 108 detentos 2 agentes por dia Regime Aberto: + ou – 100 detentos, porém estão em prisão domiciliar por causa da super lotação. Pórtico: tem 6 agentes onde o mínimo seria 10 agentes penitenciários. Total de detentos juntando Instituto Penal e regime aberto: 738 presos. Perguntei ao diretor do presidio qual seria o problema mais grave que ele enfrentava e ele disse: falta de agentes, falta de agentes… Existem 35 agentes homens e 10 agentes mulheres no presidio regional de Bagé. Gostaria de terminar com um questionamento para nossa reflexão: Como podemos atacar os problemas prisionais com um efetivo tão baixo de agentes penitenciários?
  • Desde o ano 2000 tivemos um aumento de 213% no total da massa carcerária brasileira. Porém, irresponsavelmente, esse aumento não foi acompanhado de mais infraestrutura e pessoal. Só no RS, o acréscimo no aprisionamento é de 40%, apenas nos últimos quatro anos. É urgente a recomposição do efetivo funcional da SUSEPE. 
  • A crise prisional e seus efeitos no aumento da criminalidade e na sensação de insegurança que vivenciamos, tem relação direta com o déficit alarmante de servidores penitenciários, da criação de novas vagas e da precarização generalizada do sistema prisional. Contudo, mesmo com recursos disponíveis, a falta de prioridade do governo Sartori/MDB, dramatiza e agrava ainda mais esse quadro de insegurança no RS.
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Procurador de Justiça Gilmar Bortolotto, coordenador do Núcleo de Apoio à Fiscalização de Estabelecimentos Prisionais, Jornalista Claudio Brito, Alexandre Bobadra, Secretario Geral AMAPERGS e Marcos Correa, diretor de Comunicação AMAPERGS

Amapergs sindicato é incentivadora de todo e qualquer movimento ou discussão que tenha o envolvimento da sociedade organizada e que se proponha analisar as reais questões do sistema prisional e suas implicações na insegurança pública dos gaúchos. Parafraseado o titulo da audiência pública: a crise prisional do RS é responsabilidade de todos. Ademais, não há que se falar em segurança publica e combate a violência, sem antes, resolver os problemas conhecidos – há muito denunciados por este sindicato – do sistema prisional gaúcho. Por isso saudamos essas iniciativas, finalmente não estamos sozinhos nesta luta que é de todos e para todos.

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Com esse intuito a Corregedoria-Geral da Justiça realizou na semana que passou (22), audiência pública com o tema: Sistema Prisional: responsabilidade de todos. O evento teve o objetivo de promover o debate coletivo sobre o sistema prisional e a responsabilidade pela mudança de realidade enfrentada; contextualizar a situação carcerária por meio da apresentação de dados estatísticos e pesquisas; analisar os desafios colocados na participação conjunta da sociedade com o Poder Judiciário e divulgar as iniciativas e providências que estão sendo realizadas por todos os agentes envolvidos no processo de execução penal. O evento contou com 17 órgãos públicos e entidades da sociedade civil. A abertura do evento contou com a presença da Corregedora-Geral da Justiça, Desembargadora Denise Oliveira Cezar, que destacou que o tema da segurança pública é um dos mais importantes para a sociedade. Segundo ela, o RS tem uma população carcerária de mais de 40 mil presos e são necessários investimentos nesta área.

Evento foi realizado no auditório do Palácio da Justiça (Fotos: Eduardo Nichele)

A magistrada ressaltou que a sociedade precisa apoiar a destinação de recursos para o sistema prisional. “A solução é a recuperação social das pessoas. Os poderes públicos têm sua responsabilidade, mas a sociedade também precisa colaborar. Seja com a aprovação de investimentos, seja no combate ao preconceito.” Em seu discurso a Corregedora também destacou que esta é a terceira audiência pública realizada em 2018, sempre com o objetivo de debater com a sociedade assuntos de repercussão e interesse de todos. “Os poderes públicos têm sua responsabilidade, mas sociedade também precisa colaborar”, afirmou a Corregedora-Geral da Justiça.

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Especialistas

Após a abertura, quatro especialistas falaram durante 20 minutos cada, de temas relacionados ao sistema prisional. O Juiz de Direito Luis Antônio de Abreu Johnson, Diretor do Foro da Comarca de Lajeado, abordou a construção do Presídio Feminino de Lajeado, que contou com recursos do judiciário e da comunidade e completa dois anos no próximo domingo (25/11). O Procurador de Justiça Gilmar Bortolotto, coordenador do Núcleo de Apoio à Fiscalização de Estabelecimentos Prisionais falou sobre as APACS, Associações de Proteção e Assistência aos Condenados.

O Promotor de Justiça aposentado e Jornalista Claudio Brito e o Doutor em História e professor Celso Rodrigues também falaram sobre a questão do sistema prisional. Após a explanação, cerca de 10 representantes de entidades e particulares se manifestaram na audiência.

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Evento reuniu autoridades, magistrados e especialistas para debater e buscar soluções para a área prisional

Presenças

Também participaram do evento o Juiz-Corregedor e Coordenador do Grupo de Monitoramento e fiscalização do sistema Carcerário, André de Oliveira Pires, o Secretário Estadual da Segurança Pública do RS, Cezar Schirmer, o Superintendente da SUSEPE, Angelo Carneiro, os Aprovados no ultimo concurso da SUSEPE, a Defensora Pública Cintia Luzzatto, a representante da Procuradoria-Geral do Estado, Diana Paula Sana, o Coordenador adjunto da Comissão de Direitos Humanos da OAB/RS, Roque Soares Reckziegel e o Vice-Presidente da Ajuris, Juiz Orlando Faccini Neto, além de magistrados com jurisdição criminal.

Fortune Tiger, Fortune OX e mais: Os 5 melhores slots de Fortune da PG Soft

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Fortune Tiger: análise do jogo do Tigrinho em 2025

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O Fortune Tiger está disponível na Bateu Bet?

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Fenaspen | Publicada Portaria que autoriza a posse e porte de até 2 (duas) armas de fogo de uso restrito, incluindo cal 9mm para agentes penitenciários

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Privativo das Forças Armadas e da Polícia Federal, o calibre 9mm foi enfim inserido no rol de armas de uso restrito autorizadas à aquisição por servidores penitenciários. A nova Portaria autoriza também a aquisição de mais uma arma para a categoria.

Na reunião, ficou definido que seria editada nova Portaria incluindo os agentes penitenciários nas mesmas garantias e direitos concedidos aos demais integrantes das forças de Segurança Pública, conforme atualização efetivada através das Portarias 967 e 968, de 08 de agosto de 2017.

Nesse sentido, foi editada a Portaria 1497 em 14 de setembro de 2018, e publicada no Boletim Interno do Exército nº. 41, em 11/10/2018, autorizando a posse, mediante aquisição na indústria nacional, e o porte de até 2 (duas) armas de fogo de uso restrito, por Agentes e Guardas Prisionais, nos calibres 40 S&W, .45 ACP, 9mm e .357, de qualquer modelo.

A edição de portaria específica para atender os agentes penitenciários iguala a categoria às outras Forças Policiais. A vitória dupla, de acrescentar mais uma arma para aquisição e incluir o calibre 9mm para a posse e porte da categoria é mais uma vitória alcançada pela Fenaspen.

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#AmapergsNaLuta

Lucro no Cárcere | Por que os EUA decidiram deixar de usar prisões privadas

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Depois de uma análise detalhada sobre condições de segurança e custos, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos anunciou na semana passada que pretende deixar de usar prisões privadas para abrigar presos sob custódia, em uma decisão que encerra décadas de parceria e, segundo analistas, sinaliza uma mudança histórica de postura do governo americano.

“As prisões privadas mostraram que têm desempenho inferior se comparadas às nossas instalações (administradas pelo governo)”, disse a subsecretária de Justiça, Sally Yates, em memorando.

“Não oferecem o mesmo nível de serviços correcionais, programas e recursos, não apresentam redução significativa de custos e não mantêm o mesmo nível de segurança e proteção.”

“É uma importante medida simbólica e poderá contribuir com o atual debate sobre encarceramento em massa”, disse à BBC Brasil o especialista em justiça criminal Marc Mauer, diretor-executivo do Sentencing Project, grupo que defende reformas no sistema de justiça criminal americano

“O sistema de prisões privadas nos Estados Unidos cresceu tremendamente desde seu início, nos anos 1980. Este é o primeiro revés significativo em 30 anos”, observa Mauer.

Agressões e contrabando

A decisão foi anunciada após a divulgação de um relatório do Office of Inspector General (divisão de fiscalização do Departamento de Justiça) que analisou como as prisões privadas são fiscalizadas, se cumprem determinados padrões de segurança e como se comparam em relação às instalações operadas pelo governo federal.

O relatório concluiu que é preciso melhorar a fiscalização e revelou que as prisões privadas registram mais casos de agressões, contrabando e motins, além de oferecerem menos serviços de reabilitação, como programas educacionais e de treinamento profissional.

O documento cita motins provocados pela má qualidade da comida e de atendimento médico e incidentes nos últimos anos que “resultaram em amplos danos a propriedade, ferimentos e a morte de um agente penitenciário”.

A mudança será gradual. O Departamento de Justiça instruiu sua agência responsável pela administração do sistema federal de prisões, o Bureau of Prisons, a não renovar os contratos com empresas privadas que começarem a vencer ou, nos casos em que ainda seja necessária renovação, reduzir “substancialmente” o número de leitos previstos.

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Reações

As três empresas que operam essas prisões privadas – Corrections Corporation of America (CCA), GEO Group e Management and Training Corporation (MTC) – se disseram “decepcionadas” e criticaram as conclusões do relatório e a decisão do Departamento de Justiça.

“Se fosse baseada somente no declínio da população carcerária, poderia haver alguma justificativa. Mas basear esta decisão em custos, segurança e oferta de programas é errado. Os fatos não sustentam essas alegações”, diz a MTC em nota, ressaltando que as prisões privadas abrigam uma população carcerária mais homogênea, o que levaria a maior ação de gangues e, por isso, mais incidentes.

Segundo especialistas, porém, os problemas apontados no relatório não são novos. “Esses problemas já foram identificados há mais de 20 anos”, afirma Mauer.

Para ele, o que mudou foi o ambiente político no país e o debate sobre justiça criminal. “Agora temos tanto liberais quanto conservadores defendendo reformas e redução da população carcerária. As lideranças políticas se sentem mais confortáveis em examinar o sistema e descrever seus problemas”, salienta.

De acordo com o especialista em justiça criminal Martin Horn, professor do John Jay College of Criminal Justice e ex-chefe do departamento de correções e liberdade provisória da cidade de Nova York, há nos Estados Unidos uma crescente objeção filosófica ao conceito de prisões privadas.

“As pessoas sentem que a administração de Justiça, punição e segurança pública não deve ser algo sujeito a controle privado. E que é um modelo inerentemente falho, devido à motivação dos operadores de lucrar”, disse Horn à BBC Brasil.

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Histórico

Os Estados Unidos começaram a utilizar prisões privadas nos anos 1980, quando sentenças duras eram a resposta a uma onda de criminalidade no país, em meio à guerra às drogas, e fizeram a população carcerária explodir.

No início, as empresas começaram a operar prisões privadas no nível local e estadual e, a partir de meados da década de 1990, em instalações federais.

“A indústria de prisões privadas começou a se aproximar dos governos e sugerir que poderia encarcerar pessoas a um custo menor e ajudar a combater a superlotação. Mas, ao mesmo tempo, também estavam prometendo a seus acionistas que poderiam gerar lucro”, observa Mauer.

Segundo Mauer, uma das maneiras de cortar custos em uma prisão é pagar salários menores e oferecer menos treinamento aos guardas, o que leva a maior rotatividade e a uma força menos experiente.

“Isso é parte do motivo pelo qual vemos relatos de problemas de segurança”, salienta.

Horn ressalta que os problemas não são exclusividade das prisões privadas. “Há muitas prisões públicas que são simplesmente horríveis. E há prisões privadas que são boas”, diz.

Segundo Horn, cabe ao governo fiscalizar o cumprimento dos contratos. “Nas situações em que o contrato é bem escrito e a fiscalização é rigorosa, acho que uma prisão privada pode ter bom desempenho, e há exemplos disso nos Estados Unidos e em outros países”, afirma.

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Prisão de Walnut Grove, no Mississipi, é uma das instalações que será atingida pela decisão

 

Brasil

As mesmas empresas que dominam o mercado americano de prisões privadas também têm atuação no exterior, administrando unidades em países como Austrália, África do Sul e Grã-Bretanha.

No Brasil, está em discussão um projeto de lei que prevê a contratação de parceria público-privada para a construção e administração de estabelecimentos penais.

Enquanto defensores afirmam que seria a solução para um sistema carcerário marcado por superlotação, instalações insalubres e ações de facções criminosas, críticos temem que a privatização possa levar a um número ainda maior de presos, sem melhorar condições ou reduzir custos.

Para Mauer, muitos dos problemas estruturais das prisões privadas nos Estados Unidos se aplicam a outros países. “É muito difícil gerar economia sem um efeito negativo sobre a segurança”, destaca.

Mauer reconhece que prisões públicas também têm problemas. “Mas quando estão sob administração pública, há possibilidade de maior fiscalização, os contribuintes podem fazer cobranças”, ressalta.

“Não há nada de errado em o governo trabalhar com o setor privado, mas quando estamos falando de privação de liberdade, me parece perturbador entregar essa função a quem oferece o menor preço e está buscando lucro”, diz Mauer.

 

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A prisão federal de Yazoo, no Mississipi

Efeito limitado

Todos os envolvidos no debate, contrários ou a favor da mudança, reconhecem que seu efeito imediato será limitado, já que a medida não se aplica às prisões privadas estaduais e locais, nem àquelas que abrigam acusados de violar leis de imigração – que são federais, mas ligadas ao Departamento de Segurança Interna, não ao Departamento de Justiça.

“A decisão serve de alerta para a indústria de prisões privadas. Mas não será o seu fim”, prevê Horn.

A medida, porém, pode ser um primeiro passo para uma mudança mais ampla.

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Lucro no Cárcere | A privatização prisional (terceirizar o dever-poder do Estado de punir) não resolveu e, comprovadamente, agravou os problemas do sistema prisional

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  • A sanha privatista e inconsequente que a muito tempo ronda o sistema prisional, está de volta, mais uma vez, o sistema prisional e os servidores penitenciários gaúchos, deve estar preparado. A $olução fácil aparece, novamente, como um canto de sereia encima da crise (descaso histórico) dos outros. Onde, a única solução legal e racional, é o governo atual fazer o que outros não fizeram: debruçar-se sobre as bases do problema, ouvir quem vivência a precariedade do sistema e direcionar esforço/inteligência pública para modificar esse quadro. 

A primeira penitenciária privada do país foi inaugurada há quatro anos em Ribeirão das Neves, região metropolitana de Belo Horizonte. O curto espaço de tempo bastou para que a Umanizzare, empresa que administra o Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), em Manaus, expusesse a arapuca do modelo neoliberal de encarceramento privado, com 56 presos mortos e mais de 180 foragidos depois de 17 horas de rebelião.

O transbordamento do caos do sistema penitenciário no início de 2017, que contabilizou a morte de mais de 130 presos em apenas 15 dias, foi além: colocou em xeque a eficiência da privatização penitenciária e estilhaçou a vitrine marqueteira do governo de Michel Temer, que insiste em apontar a cogestão do Estado com empresas privadas como saída para o que chamou de “acidente”. A ideia da privatização do sistema penitenciário é velha. Foi pauta no governo do então presidente Fernando Henrique Cardoso, período em que o encarceramento em massa foi insuflado no país. Na década de 1990 havia cerca de 90 mil presos, e hoje são quase 727 mil.

O Ministério Público pediu ao governo do Amazonas o encerramento do contrato com o consórcio do qual a Umanizzare faz parte, alegando indícios de irregularidades como superfaturamento, mau uso do dinheiro público, conflito de interesses empresariais e má gestão. A empresa recebe R$ 4,7 mil mensais por preso do Compaj, enquanto a média nacional, segundo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), é de R$ 2,4 mil. O MP suspeita que esse dinheiro não foi empregado em infraestrutura e apoio aos detentos.

AG. PUBLICA

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Laurindo Minhoto: sem estratégias de reabilitação de detentos, prisões privadas contrariam metas fixadas em contratos

“As prisões privadas não são menos onerosas para estados e contribuintes nem tampouco operam em níveis minimamente aceitáveis de eficiência. Ao contrário, ao configurar um contexto institucional avesso a estratégias de reabilitação de detentos, o funcionamento concreto das prisões privadas vai desmanchando qualquer aparência de efetividade de metas e indicadores de qualidade fixados em contratos de gestão”, argumenta o professor da Universidade de São Paulo (USP) Laurindo Dias Minhoto, autor do livro Privatização dos Presídios e Criminalidade (2000).

Para ele, privatizar presídios, fomentar o mercado de previdência privada pela desmontagem da previdência pública, bloquear o aumento de gastos em saúde e educação e, no mesmo passo, intensificar o processo de mercantilização de direitos sociais e privatização de escolas, universidades, centros de saúde, são medidas que nada possuem de natural e necessário como estratégias de enfrentamento do déficit público. “Desse ângulo, as chacinas recorrentes em nossos presídios e a captura do sistema penitenciário pelo crime organizado não deixam de ser também desdobramentos do que se poderia ver como ‘austericídio’ à brasileira”, diz.

Lucro e pena de morte

A avalanche de dados sobre sistema penitenciário brasileiro é macabra. O que resume o caos é o fato de o Brasil ter mais de 300 presos para cada 100 mil habitantes, enquanto o indicador mundial é de 144 presos por 100 mil habitantes, de acordo com o Centro Internacional para Estudos Prisionais (ICPS, na sigla em inglês – ONG ligada à Universidade de Essex, na Inglaterra).

“Tendo em vista a situação de barbárie estrutural que qualifica historicamente o funcionamento das prisões brasileiras, o leitor poderia muito bem se perguntar: mas, afinal, o que pode piorar? Por que não experimentar a privatização? Em primeiro lugar, é certo que a situação calamitosa de nossas prisões dificilmente encontra similar em outros lugares: a pena de privação de liberdade no Brasil implica muitas vezes uma condenação à morte fast track e não ‘a fogo lento’ como se diz da condenação a penas longas em sistemas mundo afora”, diz Laurindo Minhoto. “Desse ponto de vista, uma prisão privada é pouco mais do que uma estratégia de exploração comercial dessa situação por meio de financiamento público, pois convém não esquecer que é o próprio Estado que banca a participação e a expansão do setor privado nessa área.”

O advogado Paulo Malvezzi, assessor jurídico da Pastoral Carcerária, considera que a privatização dos presídios aprofunda o sistema de encarceramento massivo, o qual é seletivo e responde à necessidade de controle social de alguns grupos, que de alguma maneira lucram com o modelo, seja com construção, alimentação, hotelaria, lavanderia, entre outros setores de negócios. “Quanto mais preso, mais lucro; quanto maior a pena, mais lucro”, afirma.

Em 2014, a Pastoral fez um estudo sobre a privatização de presídios. Há hoje no país 30 prisões privatizadas nos estados de Santa Catarina, Espírito Santo, Minas Gerais, Bahia, Sergipe, Alagoas e Amazonas. Os contratos mais comuns são de cogestão, em que o estado é responsável pela direção da unidade, guarda e escolta externa, enquanto a empresa privada assume serviços de saúde, alimentação, limpeza, vigilância e escolta internas, além da manutenção das instalações.

GERALDO MAGELA/AG. SENADO

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Paulo Malvezzi, da Pastoral Carcerária: privatização aprofunda encarceramento massivo

Seletividade

O advogado criminal Hugo Leandro, do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, afirma que existe um recorte muito definido fortalecido pelos filtros de preconceito que auxiliam na punição de negros e pobres desde a abordagem policial. “O Direito Penal é instrumento a serviço do Estado e também de quem ocupa papel importante no Estado, desde o império, quando havia ímpeto de punir setores da sociedade discriminados por quem estava no poder. Se naqueles tempos o alvo era a população negra, hoje são os negros e pobres”, afirma.

O caso do estudante Rodolpho Gonçalves Carlos da Silva, herdeiro do maior grupo da indústria alimentícia da Paraíba e da afiliada local da TV Globo, ilustra a seletividade. Neto do ex-senador e ex-vice-governador da Paraíba José Carlos da Silva Junior, ele foi acusado de atropelar e matar um agente do Detran ao fugir de uma blitz da Operação Lei Seca na madrugada de 21 de janeiro, em João Pessoa, mas não está preso, apesar de testemunhas o virem fugir sem prestar socorro à vítima – o agente Diogo Nascimento Sousa, de 34 anos, morreu.

“A Justiça Criminal é visivelmente mais forte do que o cidadão porque oferece tratamento menos rude aos que têm dinheiro e a lógica das agências penais é impulsionada e legitimada pela sociedade. Difícil dizer se é ontologicamente social ou se é construída. O nível de debate hoje é muito mal colocado na mídia. Destilam ódio nos outros. A sociedade é punitivista, principalmente contra a classe social mais baixa”, afirma o advogado.

São empresas que passam a cuidar do preso e empresas buscam o lucro. Há também a exploração da mão de obra dos encarcerados. O trabalho do preso é 54% mais barato porque as condições de trabalho não são regidas pela CLT

Com incremento da população prisional no Brasil de cerca de 7% ao ano – a de mulheres é de 10,7% ao ano –, não há indicadores de que o encarceramento produza qualquer resultado positivo na redução da criminalidade nem justifique o enorme custo social e financeiro de mandar cada vez mais pessoas à prisão. Do Levantamento de Informações Penitenciárias (Infopen), de dezembro de 2014, consta que, no Brasil, o cárcere tem reforçado mecanismos de reprodução de um ciclo vicioso de violência que, como padrão, envolve a vulnerabilidade, o crime, a prisão e a reincidência e, por vezes, serve de combustível para facções criminosas.

A onda de privatizações viabiliza o mercado das prisões: remuneração das empresas por número de presos, cláusulas contratuais de ocupação mínima que asseguram artificialmente o retorno do investimento (quanto maior o número de vagas, mais azeitada a máquina do encarceramento em massa), trabalho prisional em condições muito aquém dos mínimos legais. Os contratos de PPPs são para projetar, construir e financiar presídios, em concessões que podem durar 30 anos.

Além disso, a fim de comprovar a eficiência do sistema privatizado, o estado contratante propõe-se a escolher a dedo detentos que assegurem o status quo das unidades, rasgando de vez a Lei de Execução Penal, mal seguida, principalmente na detenção provisória e separação de pesos por gravidade de delito.

Hoje existem no mundo aproximadamente 200 presídios privados, sendo metade deles nos Estados Unidos. O modelo começou a ser implementado naquele país ainda nos anos 1980, no governo Ronald Reagan, seguindo a lógica de aumentar o encarceramento e reduzir os custos, e hoje atende a 7% da população carcerária. O modelo também é difundido na Inglaterra – lá implementado por Margareth Thatcher – e foi fonte de inspiração da PPP de Minas Gerais, segundo o então governador Antônio Anastasia (PSDB). Em Ribeirão das Neves, o contrato da PPP foi assinado em 2009, na gestão do então governador Aécio Neves (PSDB).

Nos documentos da PPP da gestão Aécio disponíveis no site do governo mineiro, fala-se inclusive no retorno ao investidor. Afinal, são empresas que passaram a cuidar do preso e empresas buscam o lucro. Há também a exploração da mão de obra dos encarcerados. O trabalho do preso é 54% mais barato porque as condições de trabalho não são regidas pela CLT, mas sim pela Lei de Execução Penal (LEP), de 1984. Se a Constituição de 1988 diz que nenhum trabalhador pode ganhar menos de um salário mínimo, a LEP afirma que os presos podem ganhar 75% de um salário mínimo, sem benefícios.

ROBERTO PARIZOTTI/ SINPSI

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Fernanda Magano: tutela de presos é dever do Estado e privatização do sistema retroalimenta o crime

“O lucro que as empresas auferem com essa onda de privatização não vem tanto do trabalho prisional, ou seja, da exploração da mão de obra cativa, mas do fato de que os presos se tornaram uma espécie de consumidores dos produtos vendidos pela indústria da segurança e da infraestrutura necessária à construção de complexos penitenciários”, detalha o professor Laurindo Minhoto.

Ausência do Estado

A presidenta do Sindicato dos Psicólogos do Estado de São Paulo, Fernanda Magano, afirma que de 1990 para frente, após o massacre do Carandiru, houve uma reação dos presos, que começaram a se organizar em facções, parte disso ainda herança do Comando Vermelho, no Rio, e do PCC, em São Paulo. “O que observamos em 2006 foram rebeliões e ataques como demonstração de força dessas facções para fora e dentro dos presídios”, diz. “Quem trabalha dentro do sistema ouve que há acordo tácito do PSDB (que governa o estado desde 1995) com as facções, mas não há provas. O fato é que no decorrer dos últimos anos 10 anos não teve nenhuma manifestação tão intensa como a de 2006”, observa a dirigente.

Para a psicóloga, a ausência do poder público produziu quase um Estado paralelo, no qual famílias de detentos são reféns desse controle. Segundo ela, existe um paradoxo, porque as facções ajudam o contato da família com seus presos e oferecem proteção dentro e fora dos presídios. Contrária às privatizações, Fernanda Magano defende que a tutela de presos é dever do Estado e que a privatização do sistema retroalimenta o crime e perpetua a existência dos presídios como negócio. “Existem modelos que falam do abolicionismo penal porque o cárcere produz exclusão social”, afirma.

Para ele, terceirizar significa fragilizar o sistema, ao permitir superfaturamento nos contratos, concessão a empresas que fazem doações a políticos e até a possibilidade de uma empresa pertencer ao crime organizado ou financiar campanhas políticas em troca do apoio à privatização. “As unidades prisionais deveriam ser ressocializadoras e de segurança. Essas responsabilidades não podem ser transferidas para terceiros.” #AmapergsNaLuta

Pesquisa e edição e texto inicial: Marcos Silva | Diretor de Comunicação | AMAPERGS  
Via: Rede Brasil Atual, BBC, EBC e Agencia Pública

#AmapergsNaLuta | Ato pelo chamamento de aprovados no último concurso da SUSEPE

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Amapergs Sindicato participou na manhã desta terça-feira (18), de um grande ato público em prol das nomeações dos aprovados no último concurso da SUSEPE. A manifestação/caminhada teve iniciou em frente a Secretaria Estadual de Segurança Pública, percorrendo as principais ruas do centro de Porto Alegre, com encerramento em frente do Palácio Piratini.

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Amapergs tem convicção das necessidades imediatas para, minimamente, equalizar a crise prisional do RS. A situação é critica. Destacamos que, desde o ano 2000 tivemos um aumento de 213% no total da massa carcerária brasileira. Porém, irresponsavelmente, esse aumento não foi acompanhado de mais infraestrutura e pessoal. Só no RS, o acréscimo no aprisionamento é de 40%, apenas nos últimos quatro anos. É urgente a recomposição do efetivo funcional da Superintendência dos Serviços Penitenciários (SUSEPE – RS).

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A crise prisional e seus efeitos no aumento da criminalidade e na sensação de insegurança pública vivenciada pelo povo gaúcho, tem relação direta com o déficit alarmante de servidores penitenciários, da criação novas vagas e da precarização generalizada do sistema prisional. Porem, mesmo com recursos disponíveis, a falta de prioridade do governo Sartori/MDB, dramatiza ainda mais esse quadro de insegurança pública no RS.

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De resto, não ha que se falar em segurança pública, vencer as organizações e facções criminosas que nascem e crescem dentro das prisões, sem um enfrentamento sério do deficit de servidores penitenciários. Está que é uma luta da categoria – pauta de greve – por esse concurso publico. Portanto, lutaremos até que a totalidade dos aprovados sejam chamados. Esse é o nosso compromisso.

#AmapergsNaLuta

 

 

Lucro no cárcere | Especialistas criticam terceirização no sistema penitenciário

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Em debate sobre a situação carcerária brasileira no programa Diálogo Brasil, especialistas em direito penal e políticas públicas cobraram a responsabilidade dos gestores de presídios diante da crise e criticaram a possibilidade de privatização do sistema penitenciário brasileiro. O programa é exibido pela TV Brasil.

A cientista social Tatiana Whately de Moura apontou a superlotação e a falta de recursos, como as causas para a crise do sistema prisional brasileiro “Essa é uma tragédia anunciada, as unidades prisionais estão superlotadas, há um déficit de gestão prisional. O Executivo não prove os serviços técnicos, operacionais e assistência necessários dentro das unidades prisionais”.

Segundo a professora de direito penal da Universidade de Brasília (UnB) Soraia da Rosa Mendes, a atual crise nas penitenciárias do país mostra que a gestão do sistema carcerário não deve ser compartilhada.

“ A barbárie, aquela tragédia ocorrida em Manaus, e depois em Roraima, demonstrou muito bem isso, a necessidade de repensar inclusive algumas propostas que estão sendo feitas em termos de privatização de presídios. Afinal, lá estávamos a frente de uma situação em que havia parceria entre estado e iniciativa privada”, criticou a analista, em referência à gestão do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), em Manaus, cuja administração é feita por uma empresa privada.

A cientista social Tatiana Whately de Moura também critica a terceirização da gestão de unidades prisionais. “A privatização implica uma série de dificuldades para o sistema prisional e uma delas é você lucrar com o encarceramento. Ter esse tipo de viés facilita um lobby, inclusive no Congresso, para penas mais duras, para que essas pessoas fiquem cada vez mais tempo nas prisões e que cada vez mais pessoas sejam encarceradas.”

Tatiana, que já coordenou o Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), citou o exemplo dos Estados Unidos, país que mais encarcera no mundo e que privatizou diversas unidades prisionais. “O que eles fazem agora é retroceder nessa política por identificar que ela não deu certo.”

Soraia Mendes, da UnB, disse durante o debate que o censo sugerido pela presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Cármen Lúcia, pode ajudar a revelar a realidade do sistema carcerário brasileiro, mas não resolve por si só o problema da gestão dos presídios.

As especialistas também apontaram que a falta de segurança dentro dos presídios permite que facções criminosas rivais dominem os espaços, além de possibilitar a entrada de drogas, celulares e armas nos presídios.

#AmapergsNaLuta

Fonte: EBC