O SINDPPEN vem, inicialmente, parabenizar os colegas que atuam no Serviço de Atendimento ao Servidor da Polícia Penal (SASPP) pelo empenho e dedicação na escuta qualificada, por meio de atendimentos individualizados, prestados aos servidores do sistema penal. No site da Polícia Penal foi publicada uma matéria no último dia 06.02 em que informa que o Serviço de Atendimento dos Servidores da Polícia Penal (SASPP) realizaram 14 mil atendimentos psicológicos de servidores.
Entretanto, esta entidade sindical manifesta divergência quanto aos dados e números apresentados na referida publicação, especialmente no que se refere à afirmação de que “os resultados alcançados demonstram que o cuidado com a saúde mental dos servidores do sistema prisional é referência nacional”. Diante disso, entendemos ser fundamental o esclarecimento público e objetivo acerca dos critérios, indicadores e evidências utilizados para sustentar tal afirmação.
Nesse contexto, apresentamos os seguintes questionamentos, com o intuito de promover transparência e qualificar o debate institucional:
Houve redução comprovada nos índices de adoecimento mental entre os servidores do sistema penal gaúcho?
Verificou-se diminuição nos afastamentos funcionais por motivo de saúde mental ou moléstias correlatas?
Foram reduzidos os casos de suicídio entre servidores após a implementação das referidas ações?
Houve impacto concreto na redução de práticas de assédio moral, perseguições institucionais ou outras formas de violência organizacional?
Ocorreram mudanças estruturais nos modelos de gestão, com adoção de práticas mais humanizadas e efetivamente acolhedoras aos servidores?
Adicionalmente, solicitamos esclarecimentos sobre as estratégias adotadas pela gestão, para além do atendimento psicológico individual, tais como:
Quais programas estruturados de prevenção foram implementados?
O que compreende, na prática, a proposta de “capacitação de gestores para serem multiplicadores”, considerando que parte significativa das denúncias dos próprios servidores envolve condutas inadequadas oriundas de níveis hierárquicos superiores?
Quais medidas objetivas foram adotadas para prevenir, apurar e reduzir situações de assédio no âmbito institucional?
Da mesma forma, é essencial apresentar dados objetivos e verificáveis sobre a cobertura efetiva dos serviços:
Quantas unidades prisionais contaram, durante o ano de 2025, com profissionais disponíveis de forma contínua, ao longo dos 12 meses, para atendimento aos servidores?
Quantas unidades permaneceram desassistidas ou sem suporte técnico especializado durante esse período?
Reiteramos que esta entidade sindical reconhece a importância de políticas voltadas à saúde mental dos servidores. Contudo, é imprescindível que tais políticas sejam sustentadas por ações concretas, estruturadas e mensuráveis, e não apenas por indicadores isolados ou narrativas institucionais.